Horta urbana em topo de prédio produz verduras orgânicas em Nova York
HAROLDO CASTRO (TEXTO E FOTOS), DE NOVA YORK
22/08/2013 15h17 - Atualizado em 22/08/2013 17h05
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Estou em frente a um prédio no Northern Boulevard, esquina com a 37ª Avenida, em Queens, Nova York. É uma construção alongada, com janelas amplas; seus seis andares são ocupados por escritórios, não por residências. Ainda da rua, observo uma imensa caixa d’água no topo do edifício. “É lá em cima, na cobertura, que está a horta”, afirma meu filho Tamino Castro, que conhece o projeto.
Entramos no elevador e ele aperta o botão R (de Roof), o último. Subimos e a porta se abre. Caminho apenas dois metros e estou cercado de canteiros de verduras. Olho a meu redor e tomo um susto: dezenas de plantinhas verdes surgem de uma terra escura, quase negra.
“Nossa chácara possui 4 mil metros quadrados”, afirma Bradley Fleming, gerente e um dos fundadores do projeto. “Compartilhamos o espaço com dezenas de unidades de ar condicionado, uma imensa caixa d’água, as máquinas do elevador e quartos de depósitos do prédio. Mesmo assim, conseguimos criar 100 canteiros de mais de 10 metros.”
Tudo começou em maio de 2010, apenas há quatro anos. Duas dúzias de amigos, após negociarem um aluguel de 10 anos com os administradores do prédio, decidiram criar uma horta aérea. Durante algumas semanas de trabalho árduo, impermeabilizaram o teto, construíram um bom sistema de drenagem e levaram 500 toneladas de solo fértil para fazer os futuros canteiros. “A estrutura do prédio aguenta muito mais terra”, afirma Bradley, respondendo se o edifício pode sustentar tanto peso. “Dependendo do que plantamos, temos canteiros com uma profundidade que varia de 20 a 40 centímetros.”
O resultado foi tão positivo que o grupo decidiu replicar o projeto no topo de outro prédio em Brooklyn. Hoje, os fazendeiros urbanos conseguem produzir cerca de 20 toneladas de verduras por ano que são vendidas a restaurantes orgânicos e a famílias que recebem uma cesta de produtos semanais de maio a outubro.
As vendas também estão crescendo durante o mercados semanal que acontece aos sábados. Das 11 às 15 horas, a horta fica aberta a visitantes e ninguém sai de lá sem levar para casa uns tomates, algum pacote de verduras ou um molho de tempero. Tudo orgânico, sem adubo químico e sem pesticidas. “Os produtos para as cestas são prioritários”, afirma Bradley. “Por exemplo, nesta semana colhemos poucas berinjelas, o suficiente apenas para nossos clientes da cesta. Assim, algumas verduras são exclusivas.”
A horta não é uma organização não-lucrativa, mas uma pequena empresa que possui empregados fixos. “Queremos promover esta atividade profissional e pagamos um salário decente aos nossos agricultores urbanos”, afirma Bradley. Desde o primeiro ano a empresa tem mostrado lucro no seu balanço anual, o qual é reinvestido nas duas iniciativas.
Além das doações recebidas, o projeto recebe grande apoio de voluntários. John Castel, morador a poucos quarteirões dos jardins suspensos de Queens, é um deles. Desenhista gráfico durante a semana, ele reserva o sábado para colocar a mão na terra. “É a maneira que encontrei para estar em contato com a natureza”, diz John.
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